Um caminho é tão nosso quanto é do ar,
Instável, incerto, não tem apenas uma direcção.
Um caminho é tão seu como é do mar,
Seguro no início e afundado depois na escuridão.
Nós somos tão nossos como somos dos demais,
Ora nos amparam a queda, ora nos deixam cair.
Nós somos tão justos quanto somos imorais,
Descascando o mundo à força até ele se esvair.
Bons e maus, confiantes e inseguros,
Reflexos de olhares maus e puros,
Existe muito que nos vai atormentar.
Mas a viagem é apenas uma;
Enquanto existir sol por entre a bruma,
O caminho certo irá surgir para nos guiar.
[ E que é a viagem se não o percurso, o esforço, o não desistir? Não importa o caminho que tomamos ou quantas vezes nos perdemos. Vamos ter sempre o bom e o mau, a solidão e o abraço apertado, a dúvida e a certeza. O rumo segue e nós vamos com ele. Vemos-nos por aí... ]
7 de junho de 2014
19 de maio de 2014
Cadeados e trancas
Sonhador desta realidade descaída,
Do meio sem meia medida,
Ouvi-te com a voz que não faz som.
Alheio à realidade estarrecida,
Eis que te vi, num vislumbre de vida
Que sabia ser tão raro,
Sabia por tê-lo visto.
Sonhador da caixa vermelha em riste,
De tranca entrançada e triste,
Senti a tua alma vacilar.
Tanta força que persiste,
Não há vontade que diste
Aquilo que eu vi,
Como uma febre de vida.
Sonhador, oh sonhador,
Do sonho arrancaste o fervor,
Destruí o cadeado sem saber.
Agora com o sol a pôr,
Não há clamor
Que renegue o teu direito,
A chave sempre te pertenceu.
[ Não sei se saberei alguma vez explicar isto...apenas que a caixa-forte e vermelha de cada um, o nosso coração, funciona de maneiras que não se explicam. Faz-nos actuar sem saber o papel, faz-nos avançar quando estamos parados, faz-nos ter esperança quando a mente há muito desistiu. Sonho com o dia em que, das poucas chaves que entreguei ao longo da minha vida, uma abra a minha tranca...e ela nunca mais volte a fechar. ]
Do meio sem meia medida,
Ouvi-te com a voz que não faz som.
Alheio à realidade estarrecida,
Eis que te vi, num vislumbre de vida
Que sabia ser tão raro,
Sabia por tê-lo visto.
Sonhador da caixa vermelha em riste,
De tranca entrançada e triste,
Senti a tua alma vacilar.
Tanta força que persiste,
Não há vontade que diste
Aquilo que eu vi,
Como uma febre de vida.
Sonhador, oh sonhador,
Do sonho arrancaste o fervor,
Destruí o cadeado sem saber.
Agora com o sol a pôr,
Não há clamor
Que renegue o teu direito,
A chave sempre te pertenceu.
[ Não sei se saberei alguma vez explicar isto...apenas que a caixa-forte e vermelha de cada um, o nosso coração, funciona de maneiras que não se explicam. Faz-nos actuar sem saber o papel, faz-nos avançar quando estamos parados, faz-nos ter esperança quando a mente há muito desistiu. Sonho com o dia em que, das poucas chaves que entreguei ao longo da minha vida, uma abra a minha tranca...e ela nunca mais volte a fechar. ]
4 de abril de 2014
Eu, comigo
Pedaços.
Fragmentos de lucidez alheia assolam-me.
Pedaços de ser, de mim,
Seres de mim de outrora
Sentam-se comigo à mesa da alma.
A távola redonda da minha essência
Cresce, e apenas eu estou lá.
A minha visão é apenas minha,
Partilhada comigo.
Não compreendia o significado do mundo
Até o meu passado o apresentar.
Não partilhava a minha dúvida
Antes de ter a certeza.
Eu sou eu, sendo muitos.
Aprender é um luxo próprio,
Reviver, uma lição não retida.
Tenho em mim todos os sonhos
Singulares e plurais da minha vontade!
Pedaços de ser, de mim,
Fragmentos de lucidez minha reúnem-se.
Pedaços.
[ É absolutamente impressionante como procuramos respostas ao longo da nossa vida e, como que por magia, algo do nosso passado nos mostra como já sabíamos o que fazer ! Observei e reli os meus textos passados e revejo-me em situações passadas cuja resposta era clara, como se agora eu estivesse a olhar para um génio cuja inocência mostrava mais potencial do que o conhecimento adquirido com o passar dos anos. Não somos verdadeiramente fracos e impotentes. Temos em nós tudo o que é necessário para adquirir as nossas respostas, mesmo que não as consigamos compreender sem dar tempo ao tempo; por vezes, ao invés, temos é de retirar tempo ao tempo ! ]
Fragmentos de lucidez alheia assolam-me.
Pedaços de ser, de mim,
Seres de mim de outrora
Sentam-se comigo à mesa da alma.
A távola redonda da minha essência
Cresce, e apenas eu estou lá.
A minha visão é apenas minha,
Partilhada comigo.
Não compreendia o significado do mundo
Até o meu passado o apresentar.
Não partilhava a minha dúvida
Antes de ter a certeza.
Eu sou eu, sendo muitos.
Aprender é um luxo próprio,
Reviver, uma lição não retida.
Tenho em mim todos os sonhos
Singulares e plurais da minha vontade!
Pedaços de ser, de mim,
Fragmentos de lucidez minha reúnem-se.
Pedaços.
[ É absolutamente impressionante como procuramos respostas ao longo da nossa vida e, como que por magia, algo do nosso passado nos mostra como já sabíamos o que fazer ! Observei e reli os meus textos passados e revejo-me em situações passadas cuja resposta era clara, como se agora eu estivesse a olhar para um génio cuja inocência mostrava mais potencial do que o conhecimento adquirido com o passar dos anos. Não somos verdadeiramente fracos e impotentes. Temos em nós tudo o que é necessário para adquirir as nossas respostas, mesmo que não as consigamos compreender sem dar tempo ao tempo; por vezes, ao invés, temos é de retirar tempo ao tempo ! ]
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