Posso apaixonar-me por ti?
Sentir emoções que transcendem o meu ser e o meu corpo,
Colocar-me entre o Céu e o Inferno, o limbo e o vazio,
Proferir poemas de gestos e canções de ternura.
Posso?
Tocar-te e deixar-me levar pelo tacto,
Elevar-me tão alto com a tua chama graciosa e cativante,
Percorrer caminhos perdidos e envoltos de felicidades ocultas.
Posso apaixonar-me por ti?
Descobrir um mundo mais vasto que o meu,
Fugir da insegurança, da solidão, estar com o teu ser que me ilumina
Trocar cumplicidades entre a tua pele e os meus lábios,
Morder o desejo, aproveitar-me desta enorme atracção.
Será que posso?
Fazer-te sorrir, ser o teu encosto, aconchegar-te nas noites frias,
Ver o teu rosto inocente, sereno e adormecido.
Lutar contra o mundo negro, afastar o que é mau,
Merecer esta alegria e conforto que é o amor.
Mas posso mesmo?
Suar com o teu calor, tremer com os momentos amargos,
Perdoar e ser perdoado, usar e ser usado,
Viver num estado de verdadeira mutualidade,
Desejar-te assim, intensamente e sem pudores.
...Posso apaixonar-me por ti?!
29 de março de 2010
27 de março de 2010
Encontros e desencontros
Um desejo. Uma vontade. Uma procura. Termos facilmente associáveis e aplicáveis em muitas situações...mas nem sempre é assim.
A mente humana é curiosa, intuitiva, com sede de conhecimento e desejos constantes. Por vezes, esses desejos levam-nos a limites muito frágeis...por vezes, esses desejos "obrigam-nos" a cometer loucuras. E para quê?
Perdemos tanto tempo à procura do que não temos, do que não conseguimos atingir, de tudo o que pensamos ser o "ideal" para nós. Deixamos nos levar por estes reflexos interiores, estas manifestações de racionalismo como se disso dependêssemos.
Somos empurrados por rodas intelectuais a um ritmo acelerado, sentimos uma pressão psicológica avassaladora, quase ao ponto de todos esses desejos se tornarem físicos e a sua falta causando-nos doenças. A nossa preocupação é tal que nos esquecemos o que somos, quem nos rodeia, a vida que levamos...somos tão cegados pela necessidade e pela cobiça que nos tornamos vítimas do esquecimento, e apagamos tudo o que outrora existia. Ficamos, realmente, "doentes" por dentro, atacados pelo "vírus" do desejo, corroídos, transformados. Somos uma sombra daquilo que tanto prezávamos, somos um "desencontro" de nós próprios.
Quando soubermos valorizar o que somos e acreditarmos em tudo o que fazemos, o vazio vai dissipar-se; não seremos ocos, não seremos apenas marionetas manipuladas por tudo aquilo que necessitamos. Bastará desistir de procurar, bastará saber viver sem que nos deixemos controlar pelos desejos. E dessa forma, tudo aquilo que julgámos fazer-nos falta irá surgir, sem esforço, sem consequências, sem "senãos". Irá surgir quando menos esperarmos, pois é assim que deve ser. Sempre foi. E irá sê-lo, sempre.
A mente humana é curiosa, intuitiva, com sede de conhecimento e desejos constantes. Por vezes, esses desejos levam-nos a limites muito frágeis...por vezes, esses desejos "obrigam-nos" a cometer loucuras. E para quê?
Perdemos tanto tempo à procura do que não temos, do que não conseguimos atingir, de tudo o que pensamos ser o "ideal" para nós. Deixamos nos levar por estes reflexos interiores, estas manifestações de racionalismo como se disso dependêssemos.
Somos empurrados por rodas intelectuais a um ritmo acelerado, sentimos uma pressão psicológica avassaladora, quase ao ponto de todos esses desejos se tornarem físicos e a sua falta causando-nos doenças. A nossa preocupação é tal que nos esquecemos o que somos, quem nos rodeia, a vida que levamos...somos tão cegados pela necessidade e pela cobiça que nos tornamos vítimas do esquecimento, e apagamos tudo o que outrora existia. Ficamos, realmente, "doentes" por dentro, atacados pelo "vírus" do desejo, corroídos, transformados. Somos uma sombra daquilo que tanto prezávamos, somos um "desencontro" de nós próprios.
Quando soubermos valorizar o que somos e acreditarmos em tudo o que fazemos, o vazio vai dissipar-se; não seremos ocos, não seremos apenas marionetas manipuladas por tudo aquilo que necessitamos. Bastará desistir de procurar, bastará saber viver sem que nos deixemos controlar pelos desejos. E dessa forma, tudo aquilo que julgámos fazer-nos falta irá surgir, sem esforço, sem consequências, sem "senãos". Irá surgir quando menos esperarmos, pois é assim que deve ser. Sempre foi. E irá sê-lo, sempre.
18 de março de 2010
Silêncios desconcertantes
Alguma vez tiveram aquela sensação de que falta algo? De que não conseguem exprimir o que sentem, pois é tudo um imenso nevoeiro, demasiado denso para poder entender? Aquelas alturas em que nos sentimos deslocados de nós próprios, em que o limite entre emoções é demasiado ténue. Parece que o mundo existe e nós estamos lá, mas ao mesmo tempo, não estamos. É complexo e difícil de entender o porquê destes mistérios, o porquê de tanta obscuridade emocional e racional. É, de facto, uma verdadeira "dor de pensar", algo que nos atormenta muitas vezes sem darmos conta, outras vezes desejávamos, do fundo da alma, que não existissem.
A ignorância é uma dádiva e uma maldição..."invejo" quem consegue viver sem pensar, quem vive sem conhecimento e consegue, ainda que temporariamente ou até ao fim do tempo, ser feliz. Ao mesmo tempo isto para mim é revoltante: as pessoas não conhecem, não sabem, não sentem. De que vale uma felicidade que não é eterna se a verdade dói e quando se aperceberem disso, viverão para sempre desiludidos?
Prefiro ter dor de pensar a ser um ignorante. Prefiro saber que o mundo existe, prefiro tentar entendê-lo. Não espero que me compreendam, nem que me defendam...muito pelo contrário.
Todas estas angústias sem nexo e sem nome...vão e vêm. Todas as fragilidades internas ficam, não têm cura. Cabe apenas a cada um lidar com as suas revoltas e os seus momentos de confusão. Cabe a cada um saber o que fazer a seguir.
Eu...eu sei que hoje estou assim, e amanhã será um novo dia. Até lá...que venha o mistério e o profundo. Cá estarei para aceitar o desafio e seguir em frente de cabeça erguida.
A ignorância é uma dádiva e uma maldição..."invejo" quem consegue viver sem pensar, quem vive sem conhecimento e consegue, ainda que temporariamente ou até ao fim do tempo, ser feliz. Ao mesmo tempo isto para mim é revoltante: as pessoas não conhecem, não sabem, não sentem. De que vale uma felicidade que não é eterna se a verdade dói e quando se aperceberem disso, viverão para sempre desiludidos?
Prefiro ter dor de pensar a ser um ignorante. Prefiro saber que o mundo existe, prefiro tentar entendê-lo. Não espero que me compreendam, nem que me defendam...muito pelo contrário.
Todas estas angústias sem nexo e sem nome...vão e vêm. Todas as fragilidades internas ficam, não têm cura. Cabe apenas a cada um lidar com as suas revoltas e os seus momentos de confusão. Cabe a cada um saber o que fazer a seguir.
Eu...eu sei que hoje estou assim, e amanhã será um novo dia. Até lá...que venha o mistério e o profundo. Cá estarei para aceitar o desafio e seguir em frente de cabeça erguida.
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