Pedaços.
Fragmentos de lucidez alheia assolam-me.
Pedaços de ser, de mim,
Seres de mim de outrora
Sentam-se comigo à mesa da alma.
A távola redonda da minha essência
Cresce, e apenas eu estou lá.
A minha visão é apenas minha,
Partilhada comigo.
Não compreendia o significado do mundo
Até o meu passado o apresentar.
Não partilhava a minha dúvida
Antes de ter a certeza.
Eu sou eu, sendo muitos.
Aprender é um luxo próprio,
Reviver, uma lição não retida.
Tenho em mim todos os sonhos
Singulares e plurais da minha vontade!
Pedaços de ser, de mim,
Fragmentos de lucidez minha reúnem-se.
Pedaços.
[ É absolutamente impressionante como procuramos respostas ao longo da nossa vida e, como que por magia, algo do nosso passado nos mostra como já sabíamos o que fazer ! Observei e reli os meus textos passados e revejo-me em situações passadas cuja resposta era clara, como se agora eu estivesse a olhar para um génio cuja inocência mostrava mais potencial do que o conhecimento adquirido com o passar dos anos. Não somos verdadeiramente fracos e impotentes. Temos em nós tudo o que é necessário para adquirir as nossas respostas, mesmo que não as consigamos compreender sem dar tempo ao tempo; por vezes, ao invés, temos é de retirar tempo ao tempo ! ]
4 de abril de 2014
22 de março de 2014
Dispersão
Quanta força encontro na imensidão.
Este sou eu, vasto e contido numa esfera
Que gira em torno do nada, no meio de tudo.
Este, é o mundo que me rodeia, infinito;
Finito na percepção decadente do olhar.
Vêem tanto, vendo tão pouco, sendo ainda menos.
Deveria preocupar-me? Preocupar-me no que ser?
Quanta fraqueza encontro na imensidão.
Esses são os demais, de altivez notória
E pequenez "escondida" no seu porte.
Este, é o mundo que os rodeia, finito;
Infinito na sua capacidade de os diminuir.
Sofrem tanto, com tão pouca razão, sentindo ainda menos.
Deveria queixar-me? Implorar perdão ao sentimento vazio?
Quanto de mim encontro na imensidão.
Sim, sou eu, passando pelos demais
Como se apenas eu lá estivesse, bem, só.
Só existe uma rima nesta escrita, solitária;
A essência que existe e é alheia a tudo o resto.
Uma mente na sua infinita dispersão.
[ É um facto que nem todos se sentem da mesma forma, agem da mesma forma, procuram a mesma coisa da mesma forma. Existe um mundo infinito de opções, e vemos tudo como se o problema ou a intempérie fosse o maior obstáculo; muitas vezes, o problema é a nossa própria mente. Estagna tão rapidamente pensando no problema, quando a forma mais rentável é procurar a solução. Talvez pareça estranho que eu me sinto sozinho no meio da multidão, ou mais estranho ainda que o facto de me sentir sozinho nessa situação me faça sentir bem, mas é apenas a minha perspectiva - a minha forma de existir - e se sei que funciono melhor assim, porquê ser como a multidão, não é? Eu tenho-me a mim. Mais do que ninguém, conheço as minhas estranhas engrenagens. Só falta o restante mundo aprender a olear as suas. ]
Este sou eu, vasto e contido numa esfera
Que gira em torno do nada, no meio de tudo.
Este, é o mundo que me rodeia, infinito;
Finito na percepção decadente do olhar.
Vêem tanto, vendo tão pouco, sendo ainda menos.
Deveria preocupar-me? Preocupar-me no que ser?
Quanta fraqueza encontro na imensidão.
Esses são os demais, de altivez notória
E pequenez "escondida" no seu porte.
Este, é o mundo que os rodeia, finito;
Infinito na sua capacidade de os diminuir.
Sofrem tanto, com tão pouca razão, sentindo ainda menos.
Deveria queixar-me? Implorar perdão ao sentimento vazio?
Quanto de mim encontro na imensidão.
Sim, sou eu, passando pelos demais
Como se apenas eu lá estivesse, bem, só.
Só existe uma rima nesta escrita, solitária;
A essência que existe e é alheia a tudo o resto.
Uma mente na sua infinita dispersão.
[ É um facto que nem todos se sentem da mesma forma, agem da mesma forma, procuram a mesma coisa da mesma forma. Existe um mundo infinito de opções, e vemos tudo como se o problema ou a intempérie fosse o maior obstáculo; muitas vezes, o problema é a nossa própria mente. Estagna tão rapidamente pensando no problema, quando a forma mais rentável é procurar a solução. Talvez pareça estranho que eu me sinto sozinho no meio da multidão, ou mais estranho ainda que o facto de me sentir sozinho nessa situação me faça sentir bem, mas é apenas a minha perspectiva - a minha forma de existir - e se sei que funciono melhor assim, porquê ser como a multidão, não é? Eu tenho-me a mim. Mais do que ninguém, conheço as minhas estranhas engrenagens. Só falta o restante mundo aprender a olear as suas. ]
17 de dezembro de 2013
Espíritos errantes
Ver além do horizonte como quem tem fome de sede,
Querer explorar o longínquo como quem tem sede de fome,
Encontrar o que não se procura e perder a noção de nada;
Há pedras bem maiores que o nosso pequeno mundo.
Sentado num banco como quem corre todo o parque,
Escalar toda uma montanha como quem se senta no chão,
O esforço duma mão fechada é igual ao da mão aberta;
Há vontades maiores que a nossa vã cobiça.
Existe moral no moralista que não pratica ?
Existe força num coração que por amor não bate ?
Existe conceito de extremo que se enquadra no meio termo ?
Um espírito não julga nem desiste teimosamente.
Um espírito pode elevar o mar fazendo chover.
Um verdadeiro espírito é só seu, livre e errante.
[ As fraquezas humanas não são realmente fraquezas, assim como as qualidades. Muitos ignoram a verdadeira essência das coisas, tanto quanto ignoram o que está para além delas. Cada espírito tem os seus gostos e a sua forma de ver o mundo, mas quantos espíritos saberão coexistir ? Quem sabe, mesmo quando não se procura, encontra-se algo que não nos desperta o interesse mas mostra a sua individualidade e potencial, e isso deixa de ser um vazio; é algo com que se pode aprender. Quem quiser viver para sempre no seu mundo é livre para tal, e a questão coloca-se: será isso liberdade ? ]
Querer explorar o longínquo como quem tem sede de fome,
Encontrar o que não se procura e perder a noção de nada;
Há pedras bem maiores que o nosso pequeno mundo.
Sentado num banco como quem corre todo o parque,
Escalar toda uma montanha como quem se senta no chão,
O esforço duma mão fechada é igual ao da mão aberta;
Há vontades maiores que a nossa vã cobiça.
Existe moral no moralista que não pratica ?
Existe força num coração que por amor não bate ?
Existe conceito de extremo que se enquadra no meio termo ?
Um espírito não julga nem desiste teimosamente.
Um espírito pode elevar o mar fazendo chover.
Um verdadeiro espírito é só seu, livre e errante.
[ As fraquezas humanas não são realmente fraquezas, assim como as qualidades. Muitos ignoram a verdadeira essência das coisas, tanto quanto ignoram o que está para além delas. Cada espírito tem os seus gostos e a sua forma de ver o mundo, mas quantos espíritos saberão coexistir ? Quem sabe, mesmo quando não se procura, encontra-se algo que não nos desperta o interesse mas mostra a sua individualidade e potencial, e isso deixa de ser um vazio; é algo com que se pode aprender. Quem quiser viver para sempre no seu mundo é livre para tal, e a questão coloca-se: será isso liberdade ? ]
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