Nunca sei por onde começar,
Que postura ter, que palavras usar.
Desfaço-me num cavaleiro sem armadura
Quando chega a altura de falar.
Confunde-me toda essa gente
Que atira um verbo à sua frente
Como um jogo impossível de perder.
Tudo a declarar é algo que se sente.
Talvez seja lento ou inseguro,
Talvez funcione como um fruto maduro
Cujo sabor se difunde melhor
Quando fora dos ramos me aventuro.
Mas não temo esse verbo poderoso
De feição cativante e toque fogoso
Que tanto lança ondas de prazer
Como fita o destino frio e doloroso.
Quero dizê-lo com todas a certeza
Sem sombras nem impureza,
Sem dores de pensar nem obstáculos.
Quero poder dizer "Amo-te" com nobreza.
[ Sinto que por vezes as palavras são apenas palavras, meios de comunicação, meios de passar uma mensagem que muitas vezes nem é verdadeira ou sentida. Porquê? Os gestos, as palavras, os actos...todos são formas de ultrapassar a barreira da comunicação e mostrar aquilo que sentimos, que pensamos, que somos. Nós SOMOS mais que uma ou outra dessas categorias, todas fazem parte de nós. Invade-nos um mundo em que num dia existe um "amo-te", no próximo existe um "talvez te amo" e ainda noutro deixa de existir. Não chega a vida ter de ser inexoravelmente efémera, as pessoas fazem questão em hierarquizar tudo o que as rodeia de forma a que os sentimentos, o que se diz e o que se faz sejam tão superficiais quanto o chão que pisam. Talvez consigam sentir mais depressa que outras, agir menos depressa que outras, mas o que interessa é que o façam com certezas, e que se desprendam dessa mania doentia de se agarrarem ao meio termo apenas para não terem nada. Assim nunca terão algo verdadeiramente. Vivam antes de morrer! ]
1 de julho de 2011
14 de junho de 2011
Tinta vermelha
Peguei na minha imaginação como uma caneta
E quis gritar a alma dentro da minha vida.
Temia que a minha tinta fosse sempre preta,
Como o orgulho que sangra e não deixa ferida.
Usei o fundo do horizonte como meu papel
E esperei pelas palavras na inquietude do ser.
Tremia enquanto o tom carmesim forte e fiel
Invadiu a mente, deixando o corpo a ferver.
Arde aquilo que acreditei estar adormecido.
Nem o mundo, nem eu, aparentam conhecer-me afinal.
Ninguém, excepto esse carmesim destemido.
Não precisam de saber quem és ou quem fomos.
Mas o papel saberá, as palavras não mentem.
Apenas agradecem aquilo que agora somos.
E quis gritar a alma dentro da minha vida.
Temia que a minha tinta fosse sempre preta,
Como o orgulho que sangra e não deixa ferida.
Usei o fundo do horizonte como meu papel
E esperei pelas palavras na inquietude do ser.
Tremia enquanto o tom carmesim forte e fiel
Invadiu a mente, deixando o corpo a ferver.
Arde aquilo que acreditei estar adormecido.
Nem o mundo, nem eu, aparentam conhecer-me afinal.
Ninguém, excepto esse carmesim destemido.
Não precisam de saber quem és ou quem fomos.
Mas o papel saberá, as palavras não mentem.
Apenas agradecem aquilo que agora somos.
7 de junho de 2011
São coisas
Poderei ter o mundo aos meus pés
E os meus pés tropeçarem no mundo.
Poderei saber ler os escondidos rodapés
E não ver o seu significado profundo.
Serei grande sabendo que sou pequeno
Ou serei apenas tudo aquilo que condeno?
Poderei ter todas as forças dentro de mim
E de mim irradiarem somente destroços.
Poderei ver em outrem uma paisagem linda
E em mim ver apenas meros esboços.
Serei correcto sabendo que estou errado
Ou serei mais um rosto fragmentado?
Poderei sentir o maior amor por alguém
E esse alguém estar longe da minha alma.
Poderei não magoar a alma de ninguém
E ninguém valorizar o estender da minha palma.
Serei sofredor por gostar de sofrer
Ou serei alguém que não desiste de viver?
Sim, sou sofredor. Não, não gosto de sofrer.
Mas são essas coisas da vida que nos fazem crescer.
[ Poderemos ter amizades distantes que não se rompem. Poderemos ter alguém especial que não vemos tanto quanto desejaríamos. Poderemos enfrentar realidades demasiado duras para connosco. Poderemos ter o mundo contra nós ou a nosso favor...mas existe uma coisa muito importante. Em nenhuma altura, boa ou má, se deve desistir de continuar, de sentir, de preservar. Eu sou humano como todos os outros...sei que existem dois lados da moeda. Sei que não podem existir apenas dias bons, e também sei que nunca irão existir apenas dias maus. Tenho orgulho daquilo que sou, daquilo que posso aprender, daquilo que posso lutar para poder voltar a ver. Nem que seja por breves minutos. Quando desejamos mesmo algo, o tempo é efémero. Todos os segundos valem a pena. Obrigado, a todos aqueles que, mesmo sendo muito poucos, me fazem sorrir. Isto é para vocês. São coisas da vida...quem sabe o que o nos espera a seguir? ]
E os meus pés tropeçarem no mundo.
Poderei saber ler os escondidos rodapés
E não ver o seu significado profundo.
Serei grande sabendo que sou pequeno
Ou serei apenas tudo aquilo que condeno?
Poderei ter todas as forças dentro de mim
E de mim irradiarem somente destroços.
Poderei ver em outrem uma paisagem linda
E em mim ver apenas meros esboços.
Serei correcto sabendo que estou errado
Ou serei mais um rosto fragmentado?
Poderei sentir o maior amor por alguém
E esse alguém estar longe da minha alma.
Poderei não magoar a alma de ninguém
E ninguém valorizar o estender da minha palma.
Serei sofredor por gostar de sofrer
Ou serei alguém que não desiste de viver?
Sim, sou sofredor. Não, não gosto de sofrer.
Mas são essas coisas da vida que nos fazem crescer.
[ Poderemos ter amizades distantes que não se rompem. Poderemos ter alguém especial que não vemos tanto quanto desejaríamos. Poderemos enfrentar realidades demasiado duras para connosco. Poderemos ter o mundo contra nós ou a nosso favor...mas existe uma coisa muito importante. Em nenhuma altura, boa ou má, se deve desistir de continuar, de sentir, de preservar. Eu sou humano como todos os outros...sei que existem dois lados da moeda. Sei que não podem existir apenas dias bons, e também sei que nunca irão existir apenas dias maus. Tenho orgulho daquilo que sou, daquilo que posso aprender, daquilo que posso lutar para poder voltar a ver. Nem que seja por breves minutos. Quando desejamos mesmo algo, o tempo é efémero. Todos os segundos valem a pena. Obrigado, a todos aqueles que, mesmo sendo muito poucos, me fazem sorrir. Isto é para vocês. São coisas da vida...quem sabe o que o nos espera a seguir? ]
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