Ando, caminho interminavelmente,
Percorro as ruas estreitas do existir,
Vezes e vezes sem conta.
Paro, interrompo repentinamente.
Percorro as ruas sem saída do fugir.
Vezes e vezes sem conta.
Sorrio, rio desenfreadamente,
Percorro as ruas loucas do sentir.
Vezes e vezes sem conta.
Sofro, choro descontroladamente.
Percorro as ruas fatais do desistir.
Vezes e vezes sem conta,
Somos apenas um reflexo insuficiente,
Um emaranhado fixo do fingir.
Vezes e vezes sem conta.
Quando é que nos tornaremos o espelho?
[ Existem caminhos e estados de ser tão fixos, tão mecânicos, tão previsíveis. Vezes e vezes sem conta nos deixamos tomar por eles, somos engolidos pelas emoções fracas que achamos fortes. Vivemos uma vida mostrando um e outro reflexo, uma e outra vez. Não sabemos o que existirá, e isso é inegável. Mas não temos de ser sempre iguais. Tal como no início de um caminho ou no final de um poema aparentemente igual, podemos marcar a diferença. Podemos ser, finalmente, o espelho que comanda todos aqueles reflexos. Aí saberemos ser donos do nosso mundo. ]
14 de agosto de 2012
27 de julho de 2012
Um vulto de ninguém
Começa a chover com a janela aberta
Para o mar alto da personalidade.
Ondulam o sombrio e a tempestade
De uma alma desancorada e deserta.
Esqueci-me de mim, algures pelo trilho,
Parti o espelho da alma suave e cristalino.
Agora sou um reflexo negro de um menino
Que se perdeu na contemplação da água sem brilho.
Vejo a minha vista como se fosse cega e muda,
Vazia como o vulto de uma pessoa carrancuda,
Vidrada no silêncio de uma sala desnuda.
Quem sou já me procurou e não encontrou ninguém,
Quem fui encara-me cada vez mais com desdém,
Quem quero ser...não é um vulto, mas sim alguém.
[ Sempre a caminhar atrás da própria sombra e não além dela. Sempre a pensar no que nos faltou e no que se seguirá. Quando é que deixa de haver um "quando" e somos nós agora ? Quando é que deixa de haver um "porquê" para não procurar vazios ? Quando é que deixa de existir um "onde" e fazemos nós o caminho ? Quando é que deixam de persistir perguntas ? Nunca...mas as respostas também não têm de existir fora de nós. As respostas somos nós, e a vida nunca irá acabar numa pergunta. Irá sempre, no entanto, começar com aquelas que nos propormos a ser a resposta. ]
Para o mar alto da personalidade.
Ondulam o sombrio e a tempestade
De uma alma desancorada e deserta.
Esqueci-me de mim, algures pelo trilho,
Parti o espelho da alma suave e cristalino.
Agora sou um reflexo negro de um menino
Que se perdeu na contemplação da água sem brilho.
Vejo a minha vista como se fosse cega e muda,
Vazia como o vulto de uma pessoa carrancuda,
Vidrada no silêncio de uma sala desnuda.
Quem sou já me procurou e não encontrou ninguém,
Quem fui encara-me cada vez mais com desdém,
Quem quero ser...não é um vulto, mas sim alguém.
[ Sempre a caminhar atrás da própria sombra e não além dela. Sempre a pensar no que nos faltou e no que se seguirá. Quando é que deixa de haver um "quando" e somos nós agora ? Quando é que deixa de haver um "porquê" para não procurar vazios ? Quando é que deixa de existir um "onde" e fazemos nós o caminho ? Quando é que deixam de persistir perguntas ? Nunca...mas as respostas também não têm de existir fora de nós. As respostas somos nós, e a vida nunca irá acabar numa pergunta. Irá sempre, no entanto, começar com aquelas que nos propormos a ser a resposta. ]
3 de maio de 2012
Tormento leve e jubilo infernal
(Tão) simples como viver,
(Tão) complicado quanto o fazer.
Atormentados pelo simples,
O complicado, felizes por receber.
Onde tudo é vendido sem ter valor
E o trair é a maior amostra de amor,
O tempo só corre para quem anda,
Pois o mais forte é o que dos outros tem pavor.
Condenamos morte mas negamos vida,
Queremos sarar onde não há ferida
E porquê? Não fazendo sentido algum,
Como temos uma forma de pensar tão nítida?
Não sei nem sabem nem é suposto,
Lógica no viver, por vezes é um encosto,
Uma desculpa para tentar explicar tudo
Quando viver é apenas uma face do rosto.
Cuidemos enquanto existe
Esta oportunidade que tanto persiste,
(Tão) simples e complicada, esta vida,
(Tão) difícil e facilmente resiste.
(Tão) complicado quanto o fazer.
Atormentados pelo simples,
O complicado, felizes por receber.
Onde tudo é vendido sem ter valor
E o trair é a maior amostra de amor,
O tempo só corre para quem anda,
Pois o mais forte é o que dos outros tem pavor.
Condenamos morte mas negamos vida,
Queremos sarar onde não há ferida
E porquê? Não fazendo sentido algum,
Como temos uma forma de pensar tão nítida?
Não sei nem sabem nem é suposto,
Lógica no viver, por vezes é um encosto,
Uma desculpa para tentar explicar tudo
Quando viver é apenas uma face do rosto.
Cuidemos enquanto existe
Esta oportunidade que tanto persiste,
(Tão) simples e complicada, esta vida,
(Tão) difícil e facilmente resiste.
[ Tudo é efémero, até uma forma de pensar. Num dia podemos defender algo afincadamente e noutro dia desdenhar completamente o mesmo. Por vezes abraçamos o sofrimento e noutras vezes rejeitamos a jubilo. A existência não foi, não é, nem nunca será algo simples ou complicado. É algo que transcende tudo isso. Temos muito tempo para viver, pouco tempo para existir e ainda menos tempo para deixarmos a nossa marca. E que tal...não pensarmos por uns momentos ? Gritar, saltar, correr...libertar. Não interessa onde, quando, nem porquê. "Just do it." ]
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