4 de setembro de 2011

Errar também é amar

Por entre bosques repletos e verdejantes
Com assobios de ventos cantantes,
Nasce o sábio, cresce a vida.
Por entre rios de água pura arrefecida
Pelas correntes que vêm e vão,
Nasce a discórdia, cresce o perdão.
Por entre bosques despidos e frios
Com silêncios cortantes e sombrios,
Nasce o errar, cresce o amor.
Por entre os céus de esperança e horror
Com toda a força possível de um ser,
Nasce uma vontade, cresce o renascer.

Errar é humedecer os olhos e não chorar,
É ter nós por dentro sem nunca sangrar,
É ter consciência que há que crescer para saber amar.

[ Todas as fases da vida são importantes. Podemos nascer sábios e morrer ignorantes, nascer ignorantes e morrer sábios. Errar e reconhecer é ter consciência das falhas; podemos rejeitar o mundo e este não o saber, podemos ser os maiores apaixonados e não o saber demonstrar, podemos ser brilhantes e provar apenas insanidade...o que está por dentro, nós sabemos o que é. Mas se não nos esforçarmos para o transmitir para fora...quem o saberá? ]

29 de agosto de 2011

Cascas de carvalho

Memórias intemporais,
Acções que tais,
Invadem os olhos dos demais.

Pequenos fragmentos,
Histórias de momentos
Transmitidas às forças dos ventos.

No carvalho me encostei,
Nele vivi e relembrei
O que já fiz e o que ainda não sei.

Pego em cada casca enrugada,
Cada experiência solene ou conturbada
E coloco-a na mente (in)controlada.

Pedaços de mim irão cair,
Outros renascer e surgir,
E todos serão vida, a sorrir.

[ Nem uma árvore está imune ao inexorável poder do tempo. Tudo nasce, tudo tem a sua altura para desaparecer. Costuma-se ver declarações de amor forjadas na madeira, algo que perdura, ainda que fisicamente finito. Todos nós somos um pedaço de madeira cujas gravuras variam de profundidade, algumas caem e outras ficam para sempre. Boas ou más, são nossas. E são prova de que estamos vivos. Portanto, há que sorrir ao todo, tentar ter orgulho naquilo que somos e tentar polir aquelas arestas irregulares um tanto difíceis de eliminar. O todo não tem de ser perfeito, mas tem de ser nosso, e dar-nos vontade de continuar, porque vale sempre a pena tentar! ]

12 de agosto de 2011

Todos os sons do silêncio

Sentado num banco de jardim
Onde os sons não parecem ter fim,
Encontro calma.
Nas entranhas da minha solidão
Bate à porta o ritmo do meu coração
Trazendo amor à alma.
Vem o vento veloz e vadio
Roubando calor com o seu abraço frio
Num silêncio assobiado.
Passa aos saltos no olhar essa gente
Cujos sons são só nevoeiro na mente,
Um silêncio dissimulado.
Sigo pelas ruas dos meus sonhos
Indiferente aos sons medonhos
Do que já foi e está para vir.
Tenho-me a mim e ao meu mundo.
Todos os sons são o meu silêncio profundo,
São as cores do meu quadro de sentir.


[ Dizem que uma imagem, ou um acto, valem mais que mil palavras. E um silêncio...valerá mais que mil sons? ]